O padrão de auto-organização constatado em formações de cidades, formigueiros, sites de busca de internet, formação de órgãos e etc, também foi evidenciado nas recentes manifestações populares por todo o mundo. O que deixou incrédulo e propenso a teorias de conspiração quase todo analista político não acostumado a ler nada mais além de economia e política. Pois é justamente o que caracteriza o padrão de emergência que causou tamanho equívoco interpretativo - a falta de "comando", a descentralização, a organização bottom up, e não mais top down, ou seja, de baixo pra cima e não de cima pra baixo. As redes sociais possibilitaram isso. Obviamente, muito oportunista tenta se aproveitar nestas horas, reivindicando a autoria ou acusando o outro lado, o que não impediu a observação do padrão, caracterizado pela ausência de líderes - a complexidade emergindo da simplicidade.
Ao me aprofundar no assunto, é cada vez com menos espanto que identifico este padrão em vários "locais", como no movimento extremamente organizado dos pinguins em meio a tempestades, nas quais cada um fica de costas para a tormenta, "segurando" o frio para os que estão no meio, e revezando, num movimento perfeitamente coordenado, evitando assim que algum membro saia prejudicado com um tempo de exposição maior.
Desta vez, lendo Noam Chomsky, a respeito de suas observações sobre os sistemas políticos, foi inevitável associar o padrão de emergência ao anarco-sindicalismo, ao socialismo libertário e alguns de seus mecanismos, e à idéia fundamental do anarquismo - a ausência de controle hierárquico.
O voto distrital é um exemplo prático deste processo de descentralização do poder. Com representantes ainda, porém locais, que vivem os problemas de determinada região, pois moram nela.
Assunto complexo, que exatamente como o padrão, tento simplificar. Estes dois "líderes" que disputam nosso voto e geram tamanha discussão de ideologias, não me representam! Podem me chamar de sonhador, mas não sou o único.
Assim como um organismo denominado Dictyostelium Discoideum, e seu mecanismo de ação totalmente não hierárquico (não há células complexas dando ordens às mais simples), gerando sua complexidade macroscópica (seu comportamento quando aglomerado) através de interações microscópicas simples, um sistema "político" ideal teria suas decisões sendo tomadas localmente, sem ordens superiores de quem jamais pisou alí, gerando a complexidade do todo a partir do indivíduo, atingindo assim, a humanidade, sua liberdade suprema em todos os setores.
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