Interessante constatar como certas ilusões reconfortantes são passadas de geração em geração sem que haja uma reflexão séria a respeito. A idéia de que matrimônio e paternidade lhe conferem uma garantia de não envelhecer e morrer sozinho é uma delas.
Mortes prematuras (de filhos e cônjuges), acidentes e abandonos (por parte de filhos e cônjuges também) são extremamente freqüentes. Parece-me irracional sacrificar um determinado estilo de vida, uma determinada vontade incrustada no ideal de liberdade, exatamente nos anos de vida biológica mais saudável, em prol de uma hipotética e ilusória garantia futura.
Argumentos a favor desta estupidez apenas deflagram o grau de alienação. A carência patológica (que atinge um percentual devastador da espécie) sim, explica logicamente certos sofrimentos para se estar “a dois”. (Não me entendam mal; quando estar “a dois” é mais prazeroso que sua própria companhia, quando há menos sofrimento, é, obviamente, preferível. O quê, para os chamados “espíritos livres” citados por Nietzsche, é muito raro).
Garantias não há. Talvez o lado financeiro excedente se aproxime de uma espécie de garantia. Mas apenas de envelhecer com companhia, pois morrer, morre-se só, sempre (mesmo de mãos dadas com alguém). Isto eu garanto.
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