quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Vejo tudo de cima (do muro)

Não há definições para o quê eu sou. Há epifanias nas quais rio da crença do ateu ao admirar a simetria de certas flores, o gosto de certas frutas, os padrões complexos "escondidos" em tudo. Rio mais ainda de quem reza em "desastres" naturais ou por qualquer outro motivo que deflagre esta necessidade infantil de sentido. Só respeito a reza para entrar num estado mental de paz. Só respeito a ciência que não levanta bandeiras para defender "suas" descobertas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Aforismo - Desperdício.

Atuando (vivendo) sob uma perspectiva sã, liberto do conceito ilusório do "sagrado", o rito funerário perde seu sentido. Atrelando-se à realidade da fome, enterrar ou cremar é simplesmente um desperdício.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Emergência

Do conceito de “emergência” vem a lógica da inexistência de um ser supremo criador de tudo. A humanidade habituou-se a procurar a complexidade extrema para entender a simplicidade gerando complexidade. Mas o caminho é o oposto. Já está comprovado. O padrão da natureza é o instinto anárquico, que dos seres e das relações mais simples e aparentemente insignificantes, provém a complexidade do todo.
Mas ainda é extraordinário constatar a já existência de todo o processo. Falta massa encefálica pra compreender isso.

 dictyostelium discoideum

http://www.youtube.com/watch?v=bkVhLJLG7ug&feature=share

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Aforismo - Carnificina divina

Tentativa de transcrição de um insight epifânico desvairado

Assim como o fruto pressupõe a existência de outro ser que o saboreará, as presas de um leão, os dentes de um tubarão, nossos caninos pressupõe o assassinato, a dilaceração de outro ser. O sentido está longe, humanos. Crer em um deus misericordioso passa pela crença inseparável em toda desgraça, horrores e injustiças atreladas... e também nas armas cedidas para a matança divina. Que deus interessante!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Aforismo - Sem garantia.

Interessante constatar como certas ilusões reconfortantes são passadas de geração em geração sem que haja uma reflexão séria a respeito. A idéia de que matrimônio e paternidade lhe conferem uma garantia de não envelhecer e morrer sozinho é uma delas.
Mortes prematuras (de filhos e cônjuges), acidentes e abandonos (por parte de filhos e cônjuges também) são extremamente freqüentes. Parece-me irracional sacrificar um determinado estilo de vida, uma determinada vontade incrustada no ideal de liberdade, exatamente nos anos de vida biológica mais saudável, em prol de uma hipotética e ilusória garantia futura.
Argumentos a favor desta estupidez apenas deflagram o grau de alienação. A carência patológica (que atinge um percentual devastador da espécie) sim, explica logicamente certos sofrimentos para se estar “a dois”. (Não me entendam mal; quando estar “a dois” é mais prazeroso que sua própria companhia, quando há menos sofrimento, é, obviamente, preferível. O quê, para os chamados “espíritos livres” citados por Nietzsche, é muito raro).
Garantias não há. Talvez o lado financeiro excedente se aproxime de uma espécie de garantia. Mas apenas de envelhecer com companhia, pois morrer, morre-se só, sempre (mesmo de mãos dadas com alguém). Isto eu garanto.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Aforismo - Multi-fractais


Além dos “limites” do universo, segundo um preceito básico de nossa própria física, tem necessariamente de haver “espaço”, algo para aonde se expandir. Argumentar que escapa à nossa compreensão, à nossa física, é correto, mas afirmar que não existe nada, assim como Stephen Hawking afirma que não havia nem tempo antes do Big Bang, considerando aqui como correta sua prerrogativa de que tudo surgiu da singularidade, é no mínimo arrogância. É, talvez, ego acadêmico não reconhecer que desconhecemos por completo este outro “lado” (e talvez nunca venhamos a conhecer), assim como a metáfora de hipotéticos seres “2D”  que jamais desconfiariam do eixo “Z” da terceira dimensão.
Sermos “frutos” desta física talvez nos limite a ela a tal ponto que jamais transmutaremos ou teremos massa encefálica suficiente para compreender tal questão.
Talvez sejamos seres componentes de uma micro-partícula (o próprio cosmos), que por sua vez está atrelada a milhares de outras similares, que também podem fazer parte de um conjunto que seja apenas uma micro-partícula de outra estrutura, e assim sucessivamente, como sugerem padrões fractais na natureza deste planeta ínfimo.
A tentativa análoga seria como indagar uma formiga a respeito de Hamlet.
Humildade, humanidade!