segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Anti-crença.

O Ateísmo também é uma forma de crença. Einstein, Freud, Darwin, Saramago ou qualquer ser humano minimamente mais inteligente que a média chega facilmente à conclusão da inexistência divina. Mas a questão é: Será que temos massa encefálica, intelecto suficiente pra sequer compreender este tipo de questão? Parece-me a mesma arrogância da religião. Aqui talvez caiba a mesma analogia do copo pego de amostra do oceano, que como não tem peixe, conclui-se que não há vida. Pra mim, sempre foi muito óbvio que não existe, até onde conseguimos enxergar, ou melhor, pensar, compreender. Mas pensar que podemos “parar por aqui”, além de arrogância e ingenuidade, é também o mesmo comodismo religioso. Óbvio que o sentido imposto pela religião é fantasia de Papai-Noel. Mas não concluo disso a falta de sentido geral (universal, cósmico). Mal conseguimos sair do planeta ainda. Somos cosmologicamente um feto, e queremos (mesmo a ciência, os ateus) dar as respostas, ou impor a falta delas. A aleatoriedade é óbvia, mas não exclui a inevitabilidade do processo de surgimento de vida (dados recentes corroboram esta idéia; estamos descobrindo planetas dentro da zona de habitabilidade definida pra vida como a nossa! E o mais impressionante é que são contemporâneos! E o tempo infinito antes de nós? E o tempo infinito depois de nós? E a teoria M e a possível prova científica de que o Big Bang não foi o começo e sim apenas uma colisão de Branas, universos inteiros que colidem, afastam-se e voltam a se chocar indefinidamente! Será que a idéia do eterno retorno de Nietzsche talvez tenha algo de físico e não somente metafórico, visto suas menções ao cosmo em certas partes de sua obra?)
Enfim, podemos afirmar com toda honestidade e maturidade que este processo é destituído de sentido e dormirmos tranquilamente? Eu prefiro idolatrar a dúvida. Só assim consigo dormir... sendo honesto comigo.

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