Quem crê numa ajuda sobrenatural, não suporta uma tragédia pessoal. Surta ao não entender o “mal”, vasculha sua própria vida, suas atitudes, em busca de culpa. É a vã busca de sentido. Surta ao se enraivecer contra sua própria fantasia (“Deus”). Quando não encontra nada, o cérebro doente persiste, e apela para “acontecimentos de outra vida”, numa tentativa patológica de fazer perdurar a ilusão. É a própria definição de loucura. O sentido, se houver, está infinitamente distante de nossa compreensão simiesca. A natureza tem seu padrão, seu sentido, total e absolutamente indiferente ao que quer que seja. Sistemas de causa e efeito, como na astrofísica. E talvez aí resida também sua beleza. Chorar e rezar pra parar de chover, chorar e rezar pra chover, são situações determinantes e esclarecedoras de nossa estupidez primitiva diante do padrão perfeito da natureza.
sábado, 17 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Aforismo
Desgraça une. Sucesso isola. O ser humano não lida bem com verdades. Em geral foge delas. Ao se deparar com alguém mais “forte”, determinado e bem sucedido, esbarra com sua própria verdade, sua incapacidade, seus erros. Prefere ver o erro alheio, a desgraça do outro, e hipocritamente aproxima-se, fingindo ser legal, estar comovido, quando no fundo está se sentindo mais forte e pensando: “Ainda bem que não é comigo!”
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Aforismo - Paz Infantil
Não tenho a ilusão da paz. Óbvio que é preferível, mas há situações na vida (e não são raras) em que somente a guerra inicia a solução; como diante da loucura (de indivíduos ou povos) que lhe agride primeiro. Dar a outra face diante de um louco, esperando que com isso ele receba uma espécie de lição e pare, é insensato e estúpido; você receberá outro golpe; e diante disso eu pergunto: Quantas faces você ainda vai dar antes de entender que o que se deve fazer é impedir o braço do oponente e quebrá-lo ao meio?
A índole humana e a aparente falta de sentido da vida não me permitem acreditar em paz perene. Permanece-se em paz até a inevitabilidade do acaso lhe agraciar com uma “tempestade”. Não somos rápidos o bastante pra escaparmos sempre das mudanças “climáticas”. Além de que, fugir muito cansa. Eu ando cansado. Vive-se relativamente em paz quem aprende a guerrear.
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