Sobre padrões e protestos, por Steven Johnson, ligeiramente adaptado por mim.
"Em parte alguma as possibilidades progressistas da emergência são mais evidentes do que nos novos movimentos de protesto ao redor do mundo, modelados explicitamente segundo as estruturas celulares, distribuídas, os sistemas auto-organizáveis. Os protestos de Seattle em 1999 se caracterizaram por uma extraordinária forma de organização distribuída: grupos de afinidades menores, representando causas específicas - críticos anti-Nike, anarquistas, ambientalistas radicais, sindicalistas - operavam independentemente na maior parte do tempo e juntavam-se somente para assembléias ocasionais, em que cada grupo elegia um único membro para representar seus interesses. Sobre o assunto, escreveu Naomi Klein, em The Nation: "Em algumas demonstrações os ativistas levam faixas para simbolizar seu movimento. Quando chega a hora da reunião, põem as faixas no chão, conclamando: 'Todos os manifestantes sobre a faixa', e a estrutura se torna um conselho na rua". Para alguns progressistas mais velhos, criados na tradição mais hierárquica dos movimentos trabalhistas do passado, esses diversos "grupos de afinidade" parecem irremediavelmente dispersos e desfocalizados, sem linguagem comum ou unidade ideológica. É quase impossível pensar sobre qualquer outro movimento político que tenha gerado tanta atenção pública sem produzir um líder genuíno - um Jesse Jackson ou Cesar Chaves - , se não por outra coisa, para o benefício das câmeras de televisão. As imagens que associamos aos protestos antiglobalização nunca são de uma multidão em adoração, levantando os punhos em solidariedade a um orador apaixonado em um palco. Essa é a iconografia de um modelo de protesto arcaico. O que vemos cada vez mais com a nova onda são imagens de grupos distintos: bonecos satíricos, anarquistas vestidos de preto e artistas performáticos - mas nenhum líder. Para os progressistas da velha escola, os manifestantes de hoje parecem estar sem comando, fora de controle, um enxame de pequenas causas sem qualquer princípio organizador - e, em certo sentido, eles estão certos em sua avaliação. O que lhes falta reconhecer é que pode haver poder e inteligência em um enxame, e se você está tentando lutar contra uma rede distribuída como o capitalismo global, é melhor mesmo se tornar uma rede distribuída.
Sem dúvida, isto não é motivo para adotar a pura anarquia. As colônias de formigas não têm líderes no sentido real, mas baseiam-se em regras rígidas: como ler padrões na trilha de feromônio, quando mudar do carregamento de alimentos para a construção do ninho, como responder a outras formigas, e assim por diante. Uma colônia de formigas sem regras locais não tem chance de criar uma ordem de nível superior, nem uma inteligência coletiva. Os movimentos antiglobalização, anticorrupção, estão somente começando a imaginar as regras apropriadas de engajamento entre as diferentes células. Os conselhhos de representações de Seattle foram um começo promissor, mas aprender como se juntar (como as células de Dictyostelium Discoideum) leva tempo. Naomi Klein escreveu ainda: "O que surgiu nas ruas de Seattle e Washington foi um modelo de ativista que reflete os caminhos orgânicos e interligados da Internet." Mas, como vimos inúmeras vezes nas páginas precedentes (Livro: Emergência - A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares), mesmo a Web - o maior e mais avançado sistema auto-organizável feito pelo homem - somente agora está se tornando capaz de representar verdadeira inteligência coletiva. De um modo geral, as habilidades de leitura de mente da Web são, no máximo, embrionárias, porque ainda estamos mexendo nas regras do sistema, tentando descobrir como os grupos adaptativos e inteligentes podem prosperar on-line. E se a inteligência coletiva da Web está na infância, imagine quanto os novos movimentos de protesto ainda têm para crescer. Até agora seus instintos parecem sólidos. Por trás do quebra-quebra de janelas e dos concertos de Rage Against The Machine, os ativistas anti-OMC, anticorrupção, estão fazendo algo profundo, mesmo nesses primeiros dias do movimento. Estão pensando como um enxame."
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
O ego humano quer a fantasia, o engano. Não se fala, por exemplo, dos filhos perdedores (que são muitos). Só há vencedores? Pra cada vencedor quantos perdedores necessariamente existem? Eles estão em maior proporção, mas são omitidos, dificultando sua pesquisa. Gostaria de ver a maturidade brotar da cabecinha oca da maioria e ouvir a seguinte frase: "Meu filho é um bosta!"
sábado, 11 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Humano, demasiado humano...
O sentido que se comumente atribui à palavra "humano" está estatisticamente inverso. As atrocidades, assassinatos, falcatruas corruptas, mazelas diversas oriundas de intenso egoísmo, causam um impacto muito maior na vida destes seres à prova d`´agua do que toda ação benéfica. Apenas a existência da fome basta como argumento definitivo, visto que não há escassez real (ainda) no planeta.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Artificial (a máscara do ego)
O conceito de artificialidade comumente compreendido é inexistente. Nada é artificial. Tudo é natural. Considerar esta separação é pensar erroneamente que somos especiais, que estamos de algum modo "de fora"do universo, da natureza. Cada átomo de nossos frágeis corpos foi forjado em explosões estelares. Nós somos a natureza. Somos o universo auto-consciente.
Interessante constatar que todos os últimos atentados terroristas foram cometidos por pessoas inteligentes, tidas como calmas e etc... A escassez ideológica contemporânea gera jovens facilmente idealizáveis. A aleatoriedade aparente cede lugar à inevitabilidade do surgimento de anomalias que ameaçam todo o sistema dos grandes conglomerados urbanos.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Sinais do alcance da doença
A influência pandêmica da religião é também evidenciada em pequenos atos, mesmo de pessoas não religiosas, como o de desviar o olhar ao ser coletado seu sangue, ou até não querer ouvir certas verdades. A fantasia doentia de não sermos finitos. A angústia do fim sendo esquizofrenica e desesperadamente evitada.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
A raiva é a vontade de paz
A reflexão é o ouvido da mente
A doutrina lhe torna capaz
de ver o sentido do que se sente
Mais do que preencher o vazio
Equilibrar e aceitar
Mais do que encurtar o pavio
Viver e repudiar
Sim, eu repudio quem quiser me doutrinar a não viver, a viver em prol do nada.
Mais do quê respeitar a opinião alheia... defender a vida!
A reflexão é o ouvido da mente
A doutrina lhe torna capaz
de ver o sentido do que se sente
Mais do que preencher o vazio
Equilibrar e aceitar
Mais do que encurtar o pavio
Viver e repudiar
Sim, eu repudio quem quiser me doutrinar a não viver, a viver em prol do nada.
Mais do quê respeitar a opinião alheia... defender a vida!
Martelada na mesa do mundo.
As consequências pessoais do trabalho no capitalismo moderno, como a corrosão do caráter das pessoas visando única e exclusivamente o lucro, só poderão ser afetadas, ou até mudadas, através de uma catástrofe nuclear mundial. É a filosofia do martelo. Certos comportamentos em massa que dão vazão ao que há de mais assustador na psiquê egocêntrica humana jamais serão alterados com serenidade. Líderes impregnados de ego, falta de sabedoria e repetindo padrões de comportamento de seus antecessores, assolam o planeta. É preciso adquirir a noção de que, mesmo o chão sobre o qual você pisa, acaba. Assim como a paciência para mudanças. Talvez eu esteja sem paciência para refletir sobre os caminhos para se mudar estes comportamentos nefastos do capitalismo, frear certos impulsos da índole humana, melhor dizendo. Ou talvez eu simplesmente queira ver o circo pegar fogo logo.
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